A espera...
Pode ser desesperante,
Pode ser expectante,
Pode doer.
O coração bate rápido,
Tão rápido,
O peito parece apertar,
Porquê a demora?
Que se terá passado?
Tudo perguntas que assolam o pensamento,
Que baixam a guarda,
Que provocam um sentimento de falta,
Um vazio que se forma.
Qualquer movimento parece despertar,
Apenas para, rapidamente desanimar.
Porquê?
Torna-se stressante pensar,
O mesmo pensamento enrola-se no cérebro,
Sai!!
Não me sinto bem assim,
Pára de pensar,
Se algo correu mal.
Dizem que quem espera desespera,
Ditado tão real...
Beijinhos e abraços e essas coisas todas.
29/10/09
Tempo não passa
As horas vão passando,
Mas os dias não acompanham,
À espera do momento certo,
Do dia que tarda.
Com expectativa aguardo a hora esperada,
Conto as horas, os minutos
O ponteiro dos segundos,
Porquê a demora da altura aguardada?
Odeio esperar,
Odeio, odeio, odeio,
A expectativa traz-me ansiedade,
A ansiedade, nervosismo,
Nervoso, não actuo correctamente,
Não assimilo, não raciocino...
Semana passa tão lenta,
O quinto dia tarda,
A ansiedade apodera-se de mim,
Não me deixa descansar.
Mas tenho que aguardar,
Tenho que aprender a esperar,
Como não sei o que a espera me traz,
Não me vale a pena divagar...

Beijinhos e abraços e essas coisas todas.
Mas os dias não acompanham,
À espera do momento certo,
Do dia que tarda.
Com expectativa aguardo a hora esperada,
Conto as horas, os minutos
O ponteiro dos segundos,
Porquê a demora da altura aguardada?
Odeio esperar,
Odeio, odeio, odeio,
A expectativa traz-me ansiedade,
A ansiedade, nervosismo,
Nervoso, não actuo correctamente,
Não assimilo, não raciocino...
Semana passa tão lenta,
O quinto dia tarda,
A ansiedade apodera-se de mim,
Não me deixa descansar.
Mas tenho que aguardar,
Tenho que aprender a esperar,
Como não sei o que a espera me traz,
Não me vale a pena divagar...

Beijinhos e abraços e essas coisas todas.
28/10/09
A vida dá voltas...
A vida dá voltas...
Num momento estamos desarmados,
Desiludidos, desanimados,
Mas não vamos virar as costas.
Parecendo que o mundo parou,
Paramos de reagir,
Mas, eis que algo se iniciou,
E surge tudo o que deveria vir.
Os dias tornam-se mais brilhantes,
O sol fica mais quente,
As nuvens não surgem como antes,
Parece que algo se ligou à corrente.
A mente fica mais desperta,
O coração mais leve,
Todo o corpo fica mais alerta,
Tudo acontece como deve.
Boa sensação, sentir o coração bater,
Boa sensação, sentir a vida a refazer...

Beijinhos e abraços e essas coisas todas.
Num momento estamos desarmados,
Desiludidos, desanimados,
Mas não vamos virar as costas.
Parecendo que o mundo parou,
Paramos de reagir,
Mas, eis que algo se iniciou,
E surge tudo o que deveria vir.
Os dias tornam-se mais brilhantes,
O sol fica mais quente,
As nuvens não surgem como antes,
Parece que algo se ligou à corrente.
A mente fica mais desperta,
O coração mais leve,
Todo o corpo fica mais alerta,
Tudo acontece como deve.
Boa sensação, sentir o coração bater,
Boa sensação, sentir a vida a refazer...

Beijinhos e abraços e essas coisas todas.
27/10/09
Oceano azul.
Um oceano nos teu olhos,
Ondas que rasgam o teu olhar,
A luz que brotam, a modos,
Que me deixam sem fôlego ao admirar.
Não quero parar para pensar,
Apenas quero admirar,
Entrar no teu olhar,
E no seu azul poder nadar.
Nadar nessa imensidão,
Sentir o carinho do teu olhar,
Bem forte o segurar na minha mão,
E com a outra, suavemente te acarinhar.

Beijinhos e abraços e essas coisas todas
Ondas que rasgam o teu olhar,
A luz que brotam, a modos,
Que me deixam sem fôlego ao admirar.
Não quero parar para pensar,
Apenas quero admirar,
Entrar no teu olhar,
E no seu azul poder nadar.
Nadar nessa imensidão,
Sentir o carinho do teu olhar,
Bem forte o segurar na minha mão,
E com a outra, suavemente te acarinhar.

Beijinhos e abraços e essas coisas todas
26/10/09
Beijo de boa noite
Um beijo de boa noite,
Que percorre numa suave brisa,
Chegando ao teu rosto,
Suavemente se deposita em ti,
Tocando ao de leve a tua pele.
Um beijo muito suavizado,
De modo a não te acordar,
De modo a não te perturbar,
Para manteres o teu sono descansado.
Não te quero acordar,
Apenas te quero admirar,
Ouvir o teu leve respirar,
E um beijo em ti depositar,
Dorme bem.

Beijinhos e abraços e essas coisas todas.
Que percorre numa suave brisa,
Chegando ao teu rosto,
Suavemente se deposita em ti,
Tocando ao de leve a tua pele.
Um beijo muito suavizado,
De modo a não te acordar,
De modo a não te perturbar,
Para manteres o teu sono descansado.
Não te quero acordar,
Apenas te quero admirar,
Ouvir o teu leve respirar,
E um beijo em ti depositar,
Dorme bem.

Beijinhos e abraços e essas coisas todas.
23/10/09
Sinto-me
Ha ha ha ha,
Sim, sinto-me feliz,
Porquê?
Não o sei dizer,
Boas conversas?
Meias palavras de certa forma interpretadas?
Agradável companhia...
Será que o dia correu bem,
Ou terá acabado melhor?
Não sei explicar,
Não sei definir,
Apenas sei que me sinto bem,
Com jovialidade,
Alegria,
O sangue corre nas veias com vontade,
Os poros abrem-se, absorvem todo o ar à volta,
Sinto os pulmões cheios de ar,
Respiro fundo,
E sorrio ao expirar.
É bom, não é?
Sentir sempre vontade de sorrir,
Mesmo não sabendo muito bem explicar o porquê.
"Parece um tolinho", podem pensar,
Mas também,
Não tenho que me explicar,
Sinto-me feliz,
Apetece-me sorrir,
E sorrio ao andar.

Beijinhos e abraços e essas coisas todas.
Sim, sinto-me feliz,
Porquê?
Não o sei dizer,
Boas conversas?
Meias palavras de certa forma interpretadas?
Agradável companhia...
Será que o dia correu bem,
Ou terá acabado melhor?
Não sei explicar,
Não sei definir,
Apenas sei que me sinto bem,
Com jovialidade,
Alegria,
O sangue corre nas veias com vontade,
Os poros abrem-se, absorvem todo o ar à volta,
Sinto os pulmões cheios de ar,
Respiro fundo,
E sorrio ao expirar.
É bom, não é?
Sentir sempre vontade de sorrir,
Mesmo não sabendo muito bem explicar o porquê.
"Parece um tolinho", podem pensar,
Mas também,
Não tenho que me explicar,
Sinto-me feliz,
Apetece-me sorrir,
E sorrio ao andar.

Beijinhos e abraços e essas coisas todas.
22/10/09
Estou Cansado
Sim, é o meu poeta de eleição (entenda-se Fernando Pessoa).
Senhoras e senhores, Álvaro de Campos:
"Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa."
Álvaro de Campos
Beijinhos e abraços e essas coisas todas.
Senhoras e senhores, Álvaro de Campos:
"Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa."
Álvaro de Campos
Beijinhos e abraços e essas coisas todas.
21/10/09
Quero viver!!!!!
Todos os dias é a mesma coisa,
A procura de algo,
A procura de uma sensação,
Alguma coisa que nos faça sentir vivos.
Estarmos parados, é estarmos mortos,
Sem qualquer tipo de acção,
Sem qualquer tipo de emoção,
O ser humano não consegue viver sem qualquer tipo de sensação.
Sentado num sofá à espera de nada,
Deitado na cama com o olhar fixo no nada,
Assim, apenas podemos esperar uma coisa,
A morte.
Não, recuso-me!!!!
Há que viver, correr riscos,
Beber da emoção,
Deixar que o momento nos leve ao êxtase,
Sentir o vento bater na nossa face,
Respirar fundo e sentir os pulmões a trabalhar,
Quero fazer um sorriso trocista e... arriscar,
Correr quando deveria andar,
Saltar quando deveria parar,
Fazer trinta por uma linha, e, apenas parar,
Para desfrutar da beleza do luar...
Sim, tamanha beleza não é para ignorar,
Sorver a sua mística, a sua magia respirar,
Sentir que o mundo é para AMAR!!!!

Beijinhos e abraços e essas coisas todas.
A procura de algo,
A procura de uma sensação,
Alguma coisa que nos faça sentir vivos.
Estarmos parados, é estarmos mortos,
Sem qualquer tipo de acção,
Sem qualquer tipo de emoção,
O ser humano não consegue viver sem qualquer tipo de sensação.
Sentado num sofá à espera de nada,
Deitado na cama com o olhar fixo no nada,
Assim, apenas podemos esperar uma coisa,
A morte.
Não, recuso-me!!!!
Há que viver, correr riscos,
Beber da emoção,
Deixar que o momento nos leve ao êxtase,
Sentir o vento bater na nossa face,
Respirar fundo e sentir os pulmões a trabalhar,
Quero fazer um sorriso trocista e... arriscar,
Correr quando deveria andar,
Saltar quando deveria parar,
Fazer trinta por uma linha, e, apenas parar,
Para desfrutar da beleza do luar...
Sim, tamanha beleza não é para ignorar,
Sorver a sua mística, a sua magia respirar,
Sentir que o mundo é para AMAR!!!!

Beijinhos e abraços e essas coisas todas.
20/10/09
Erro
A vida é um erro,
Daí aprendemos a mudar,
Cada um nos dá conhecimento,
Daí estarmos sempre a errar.
Um erro é como uma aula,
Se estivermos atentos,
Podemos sempre retirar alguma informação,
Concluímos que algo temos que mudar,
Mudar para não repetir,
Mudar para inovar...
Inovar sim,
Algo novo, é algo inovador,
Nunca antes experimentado,
Nunca antes vivenciado,
Assim aprendemos,
Assim vivemos.
Errando,
Mudando,
Inovando,
E...
Errando novamente.
É neste circulo vicioso que a nossa vida é vivida,
Constantemente em correcção,
Em constante mutação,
A cada queda, sacudir o pó e continuar,
A vida é para andar,
Não é para parar.
---

Uau, ler Fernando Pessoa abre mesmo os horizontes...
Beijinhos a abraços e essas coisas todas
Daí aprendemos a mudar,
Cada um nos dá conhecimento,
Daí estarmos sempre a errar.
Um erro é como uma aula,
Se estivermos atentos,
Podemos sempre retirar alguma informação,
Concluímos que algo temos que mudar,
Mudar para não repetir,
Mudar para inovar...
Inovar sim,
Algo novo, é algo inovador,
Nunca antes experimentado,
Nunca antes vivenciado,
Assim aprendemos,
Assim vivemos.
Errando,
Mudando,
Inovando,
E...
Errando novamente.
É neste circulo vicioso que a nossa vida é vivida,
Constantemente em correcção,
Em constante mutação,
A cada queda, sacudir o pó e continuar,
A vida é para andar,
Não é para parar.
---

Uau, ler Fernando Pessoa abre mesmo os horizontes...
Beijinhos a abraços e essas coisas todas
18/10/09
"Cruzou Por Mim, Veio Ter Comigo, Numa Rua Da Baixa "
Este poema veio a mim recentemente.
Mais uma obra prima de Álvaro Campos.
Li, adorei, tenho que o partilhar.
Enjoy...
"Cruzou por mim, veio ter comigo, numa rua da Baixa
Aquele homem mal vestido, pedinte por profissão que se lhe vê na cara,
Que simpatiza comigo e eu simpatizo com ele;
E reciprocamente, num gesto largo, transbordante, dei-lhe tudo quanto tinha
(Exceto, naturalmente, o que estava na algibeira onde trago mais dinheiro:
Não sou parvo nem romancista russo, aplicado,
E romantismo, sim, mas devagar...).
Sinto uma simpatia por essa gente toda,
Sobretudo quando não merece simpatia.
Sim, eu sou também vadio e pedinte,
E sou-o também por minha culpa.
Ser vadio e pedinte não é ser vadio e pedinte:
E' estar ao lado da escala social,
E' não ser adaptável às normas da vida,
'As normas reais ou sentimentais da vida -
Não ser Juiz do Supremo, empregado certo, prostituta,
Não ser pobre a valer, operário explorado,
Não ser doente de uma doença incurável,
Não ser sedento da justiça, ou capitão de cavalaria,
Não ser, enfim, aquelas pessoas sociais dos novelistas
Que se fartam de letras porque tem razão para chorar lagrimas,
E se revoltam contra a vida social porque tem razão para isso supor.
Não: tudo menos ter razão!
Tudo menos importar-se com a humanidade!
Tudo menos ceder ao humanitarismo!
De que serve uma sensação se ha uma razão exterior a ela?
Sim, ser vadio e pedinte, como eu sou,
Não é ser vadio e pedinte, o que é corrente:
E' ser isolado na alma, e isso é que é ser vadio,
E' ter que pedir aos dias que passem, e nos deixem, e isso é que é ser pedinte.
Tudo o mais é estúpido como um Dostoiewski ou um Gorki.
Tudo o mais é ter fome ou não ter o que vestir.
E, mesmo que isso aconteça, isso acontece a tanta gente
Que nem vale a pena ter pena da gente a quem isso acontece.
Sou vadio e pedinte a valer, isto é, no sentido translato,
E estou-me rebolando numa grande caridade por mim.
Coitado do Álvaro de Campos!
Tão isolado na vida! Tão deprimido nas sensações!
Coitado dele, enfiado na poltrona da sua melancolia!
Coitado dele, que com lagrimas (autenticas) nos olhos,
Deu hoje, num gesto largo, liberal e moscovita,
Tudo quanto tinha, na algibeira em que tinha pouco aquele pobre que não era pobre que tinha olhos tristes por profissão.
Coitado do Álvaro de Campos, com quem ninguém se importa!
Coitado dele que tem tanta pena de si mesmo!
E, sim, coitado dele!
Mais coitado dele que de muitos que são vadios e vadiam,
Que são pedintes e pedem,
Porque a alma humana é um abismo.
Eu é que sei. Coitado dele!
Que bom poder-me revoltar num comício dentro de minha alma!
Mas até nem parvo sou!
Nem tenho a defesa de poder ter opiniões sociais.
Não tenho, mesmo, defesa nenhuma: sou lúcido.
Não me queiram converter a convicção: sou lúcido!
Já disse: sou lúcido.
Nada de estéticas com coração: sou lúcido.
Merda! Sou lúcido."
Álvaro Campos
Beijinhos e abraços e essas coisas todas.
Mais uma obra prima de Álvaro Campos.
Li, adorei, tenho que o partilhar.
Enjoy...
"Cruzou por mim, veio ter comigo, numa rua da Baixa
Aquele homem mal vestido, pedinte por profissão que se lhe vê na cara,
Que simpatiza comigo e eu simpatizo com ele;
E reciprocamente, num gesto largo, transbordante, dei-lhe tudo quanto tinha
(Exceto, naturalmente, o que estava na algibeira onde trago mais dinheiro:
Não sou parvo nem romancista russo, aplicado,
E romantismo, sim, mas devagar...).
Sinto uma simpatia por essa gente toda,
Sobretudo quando não merece simpatia.
Sim, eu sou também vadio e pedinte,
E sou-o também por minha culpa.
Ser vadio e pedinte não é ser vadio e pedinte:
E' estar ao lado da escala social,
E' não ser adaptável às normas da vida,
'As normas reais ou sentimentais da vida -
Não ser Juiz do Supremo, empregado certo, prostituta,
Não ser pobre a valer, operário explorado,
Não ser doente de uma doença incurável,
Não ser sedento da justiça, ou capitão de cavalaria,
Não ser, enfim, aquelas pessoas sociais dos novelistas
Que se fartam de letras porque tem razão para chorar lagrimas,
E se revoltam contra a vida social porque tem razão para isso supor.
Não: tudo menos ter razão!
Tudo menos importar-se com a humanidade!
Tudo menos ceder ao humanitarismo!
De que serve uma sensação se ha uma razão exterior a ela?
Sim, ser vadio e pedinte, como eu sou,
Não é ser vadio e pedinte, o que é corrente:
E' ser isolado na alma, e isso é que é ser vadio,
E' ter que pedir aos dias que passem, e nos deixem, e isso é que é ser pedinte.
Tudo o mais é estúpido como um Dostoiewski ou um Gorki.
Tudo o mais é ter fome ou não ter o que vestir.
E, mesmo que isso aconteça, isso acontece a tanta gente
Que nem vale a pena ter pena da gente a quem isso acontece.
Sou vadio e pedinte a valer, isto é, no sentido translato,
E estou-me rebolando numa grande caridade por mim.
Coitado do Álvaro de Campos!
Tão isolado na vida! Tão deprimido nas sensações!
Coitado dele, enfiado na poltrona da sua melancolia!
Coitado dele, que com lagrimas (autenticas) nos olhos,
Deu hoje, num gesto largo, liberal e moscovita,
Tudo quanto tinha, na algibeira em que tinha pouco aquele pobre que não era pobre que tinha olhos tristes por profissão.
Coitado do Álvaro de Campos, com quem ninguém se importa!
Coitado dele que tem tanta pena de si mesmo!
E, sim, coitado dele!
Mais coitado dele que de muitos que são vadios e vadiam,
Que são pedintes e pedem,
Porque a alma humana é um abismo.
Eu é que sei. Coitado dele!
Que bom poder-me revoltar num comício dentro de minha alma!
Mas até nem parvo sou!
Nem tenho a defesa de poder ter opiniões sociais.
Não tenho, mesmo, defesa nenhuma: sou lúcido.
Não me queiram converter a convicção: sou lúcido!
Já disse: sou lúcido.
Nada de estéticas com coração: sou lúcido.
Merda! Sou lúcido."
Álvaro Campos
Beijinhos e abraços e essas coisas todas.
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