10/07/10

Beijo


Um beijo... não,

O beijo,

Que nos torna vivos,

Que faz o coração palpitar.


Doce, suave,

A sua língua tocando ao de leve a minha,

O desejo a crescer,

O coração quer sair do peito.


Uma experiência nunca esquecida,

O calor, o sabor, o amor,

A tensão a subir...

O cheiro da sua pele, encostada a minha,

O desejo, a vontade de não querer parar,

Apenas o tempo,

Tornar o momento eterno.


A felicidade em breves segundos,

O estado de paz de espírito,

Tudo é perfeito,

Tudo é correcto,

Enquanto dura o beijo.


E o coração tem saudade,

E a alma responde para onde quer voltar,

E tal como o meu corpo responde,

Também para lá quero voltar.


Beijinhos e abraços e essas coisas todas.

09/07/10

Que aconteceu?


O que fui fazer?

Quatro anos, quatro anos sustendo o desejo,

A mesma ideia a correr o meu cérebro,

Deveria rejubilar, mas não consigo.


Meu coração palpita,

Parece que quer sair do meu peito,

Porque em vez de feliz,

Me sinto desamparado?


Este peso, por algo que não devia ter feito,

Mas fiz...

E gostei,

E voltava a fazê-lo.


Era o que queria, era o que desejava,

Um minuto que fosse,

Sentir, cheirar, saborear,

Recordar...


Mas nunca o cumprimento de um desejo soube tão amargo,

Apenas descobri o que não posso ter,

Apenas provei algo suave e doce,

E inalcançável,

Provei o que não posso voltar a provar...



Beijinhos e abraços e essas coisas todas.

02/06/10

Sem receio

A noite cai sobre mim,

O seu véu negro cobre-me,

O hálito fresco assombra-me,

Mas não tenho receio.


Sinto uma imensa dor,

Dor de não estar contigo,

Não te poder ver, sentir, beijar.

Sinto falta do teu toque.


Mas não tenho receio,

é durante a noite que mais sinto a tua falta,

Quando a escuridão se abate,

E não sinto a tua mão sobre a minha.


Mas não tenho medo,

Sei que te voltarei a ver,

Sei que te voltarei a sentir,

Sei que te voltarei a ter.


É apenas um sentimento,

Sentir ou não,

Depende de cada um de nós,

Não se sabe de antemão.


Beijinhos e abraços e essas coisas todas.

26/05/10

2 minutos

2 minutos podem mudar uma vida,
O carro pode guinar,
A onda pode bater,
O coração pode parar.

Tudo pode acontecer num instante,
Programar a longo prazo?
Porquê?
É o presente que torna tudo relevante.

Beijinhos e abraços e essas coisas todas.

21/05/10

Tédio...

Sem vontade de estar aqui,
O tédio, o sono assombra-me,
Demasiado desconcentrado,
Demasiado desorientado.

Sinto a cabeça a latejar,
Ambiente fechado, seco,
Abafado,
Voz monocórdica a ressoar.

São demasiadas horas aqui fechado,
Alheio aos acontecimentos,
Oiço vozes, mas estão distantes,
O cansaço não é com conselheiro.

Beijinhos e abraços e essas coisas todas.

06/05/10

És tu.

São momentos de alegria,
Momentos de pura emoção,
Quando te vejo, te sinto,
Te toco de leve na face e te dou a mão.


É a tua voz,
São as tuas mãos,
O brilho do teu olhar,
A suavidade dos teus lábios.



Tudo se conjuga,
Tudo se unifica de forma a te representar,
Perfeita, meiga, bela...


Bastou um olhar,
Um simples mirar,
E, ao ouvir a tua voz,
Eternamente te iria adora.




Passeando ao teu lado,
Meu coração explode,
Esqueço o passado,
Apenas o sentimento nos consome.


São momentos de alegria,
Rejuvenescido me sinto a teu lado,
Sorrio, verdadeiramente sorrio,
Como há muito não se via.


Beijinhos e abraços e essas coisas todas.

12/11/09

Feliz Aquele...


"Feliz aquele a quem a vida grata
Concedeu que dos deuses se lembrasse
E visse como eles
Estas terrenas coisas onde mora
Um reflexo mortal da imortal vida.
Feliz, que quando a hora tributária
Transpor seu átrio por que a
Parca corte
O fio fiado até ao fim,
Gozar poderá o alto prêmio
De errar no Averno grato abrigo
Da convivência.
Mas aquele que quer
Cristo antepor
Aos mais antigos
Deuses que no Olimpo
Seguiram a Saturno —
O seu blasfemo ser abandonado
Na fria expiação — até que os Deuses
De quem se esqueceu deles se recordem —
Erra, sombra inquieta, incertamente,
Nem a viúva lhe põe na boca
O óbolo a Caronte grato,
E sobre o seu corpo insepulto
Não deita terra o viandante."

Ricardo Reis

Através da intemporalidade das suas preocupações, a angústia da brevidade da vida, a inevitável Morte e a interminável busca de estratégias de limitação do sofrimento que caracteriza a vida humana, Reis tenta iludir o sofrimento resultante da consciência aguda da precariedade da vida.

Dos mais... "pesados" héteronimos de F. Pessoa.
Mesmo preocupado em tentar não sofrer, transmitia uma força que transcende a compreensão humana.

Seria F. Pessoa humano?

Tanta genialidade junta e, ao mesmo tempo esquizofrenia, deviam manter a sua mente em constante sobressalto.

Beijinhos e abraços e essas coisas todas.

09/11/09

Se, depois de eu morrer...

"Se, depois de eu morrer...

Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas --- a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus.

Sou fácil de definir.
Vi como um danado.
Amei as coisas sem setimentalidade nenhuma.
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.
Compreendi que as coisas são reais e todas diferentes umas das outras;
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.
Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.
Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.
Fechei os olhos e dormi.
Além disso fui o único poeta da Natureza."

Alberto Caeiro

Às vezes, é preciso recuperar forças e tomar um suplemento.
Reestabelecer as energias e carregar as baterias.
O grande Fernando Pessoa é o meu "suplemento".
Bebo da sua genialidade para poder continuar a escrever.
Não tenciono alcança-lo, nunca o conseguirei.
Mas, a sua obra da-me vontade de continuar a escrever.

Beijinhos e abraços e essas coisas todas.

08/11/09

Felicidade

A felicidade,
Tão forte quando surge,
Que assusta,
Parecemos não habituados a ser felizes.

A vida é dinâmica,
Serve para ser vivida,
Não existe uma simples mecânica,
E não precisa de ser sofrida.

Porque não, simplesmente viver?
Viver, desfrutar,
Deixar os dias rolar,
Plantar para depois colher...

Se uma oportunidade nos surge,
Devemos agarra-la, gozar o presente,
Se nos vamos arrepender,
Que seja do que fizemos,
Não do que deixamos de fazer.

Felizes, merecemos ser felizes,
Gozar cada dia,
Encher os pulmões com alegria,
E sentir que o somos, (felizes).



Beijinhos e abraços e essas coisas todas.

07/11/09

Não há escolha...

Num turbilhão de pensamentos,
Um nome sobressai,
Sempre presente, todos os momentos,
Sempre o mesmo nome que sai.

Sempre o mesmo nome,
Mas que se pode fazer?
Contra o coração,
Sabemos sempre que vamos perder.

A vida é feita de escolhas,
Umas acertadas,
Umas erradas,
Mas, quando vem o coração,
Não há direito de escolha,
Aceitamos o que nos dão.

Era bom poder escolher,
Decidir, ponderar,
Mas ele não nos deixa pensar,
E, geralmente, acabamos a sofrer.

Nada a fazer, temos que aceitar,
Está fora das nossas mãos,
Quando toca ao amor,
Quem dita é o coração,
O resto limita-se a acompanhar...



Beijinhos e abraços e essas coisas todas.