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15/07/09

Fernando Pessoa

Nos meus tempos de secundário, este era o meu poeta de eleição.
"Bebi" tudo o que me foi possível de sua obra.

Os anos foram passados e, talvez por outras ocupações da vida, foi passando o tempo e o autor posto de lado.
Agora, findos estes anos, volto a recordar um dos símbolos da nossa cultura, um génio à sua maneira.
Como Fernando Pessoa, como qualquer um dos seu heterónimos, a sua genialidade prevalece nos nossos tempos, os seus poemas actuais, e a minha devoção inalterável.

Um bem haja a um grande senhor que, com os seus poemas, consegue revelar o que outros não conseguem dizer.


"O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar..."


Beijinhos e abraços e essas coisas todas.

5 comentários:

Ai e Tal... disse...

Ou então assim...

Passei toda a noite, sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela,
E vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela.
Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala,
E em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança.
Amar é pensar.
E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela.
Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela.
Tenho uma grande distracção animada.
Quando desejo encontrá-la
Quase que prefiro não a encontrar,
Para não ter que a deixar depois.
Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero. Quero só Pensar nela.
Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar.
Alberto Caeiro

Ai e Tal... disse...

ou este... ainda se te aplica melhor :)

Quando estou só reconheço
Se por momentos me esqueço
Que existo entre outros que são
Como eu sós, salvo que estão
Alheados desde o começo.

E se sinto quanto estou
Verdadeiramente só,
Sinto-me livre mas triste.
Vou livre para onde vou,
Mas onde vou nada existe.

Creio contudo que a vida
Devidamente entendida
É toda assim, toda assim.
Por isso passo por mim
Como por cousa esquecida.

Fernando Pessoa

Ana Lima disse...

Adoro Fernando Pessoa...

Poupinhas disse...

Se algum dia ele escreveu acerca das pedras que um dia se transformarão em castelos eu digo que muitos castelos se transformam em pedras... resta-nos o sonho, então..

Ai e Tal... disse...

Com as pedras podes construir um castelo diferente e mais sólido, poupinhas!!!

***MUAH***